Quem sou
Oi, tudo bem?
Eu sou Odson Cruz.
Nasci em Florianópolis, a Ilha da Magia — mas minha história nunca foi feita só de paisagens bonitas. Desde cedo, ainda por volta dos 12 anos, comecei a buscar respostas em livros sobre desenvolvimento pessoal, comunicação e formas de compreender melhor a mim mesmo.
Naquela época, eu ainda não sabia por que me sentia tão diferente. Também não entendia por que o sofrimento dos outros me afetava tanto. A dor das pessoas, a injustiça do mundo, o abandono, a exclusão e a solidão sempre me atravessaram de um jeito profundo.
Eu não sabia nomear isso. Apenas sentia.
Anos depois, já adulto, compreendi melhor essa história: sou uma pessoa neurodivergente, dentro do espectro autista, com TDAH e altas habilidades. O diagnóstico veio apenas aos 30 anos — mas, de algum modo, a busca por compreensão começou muito antes.
Por isso, quando falo sobre sofrimento psíquico, escuta e autoconhecimento, não falo apenas a partir de cursos, livros, artigos ou formações. Tudo isso é importante. Mas existe um tipo de conhecimento que nasce quando a experiência passa pela pele, pela memória e pela própria história.
Eu conheço o sofrimento de dentro.
E talvez tenha sido justamente essa travessia que me levou à psicanálise: a tentativa de transformar dor em linguagem, confusão em sentido, silêncio em elaboração.
Existe uma frase atribuída a Freud que nunca me abandonou:
“As emoções não expressadas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de formas piores.”
Talvez eu tenha compreendido essa frase antes mesmo de estudá-la.
Porque, muito antes de entrar em uma sala de atendimento, eu já havia visto o sofrimento humano tentando falar por caminhos tortos. Vi crianças em abrigos aprendendo cedo demais que o silêncio, às vezes, parece mais seguro do que a palavra. Vi adultos em hospitais chegarem ao limite do corpo porque, durante uma vida inteira, ninguém havia perguntado com seriedade: “como você está de verdade?” Vi pessoas nas comunidades transformarem dor em dependência, raiva em autodestruição, abandono em brutalidade, vergonha em fuga.
E ali compreendi algo que nenhum livro sozinho ensina: quando a dor não encontra escuta, ela procura saída. E, muitas vezes, encontra as piores.
Antes de ser psicanalista, fui testemunha.
Testemunha de vidas interrompidas por ausências. De talentos sufocados por medo. De crianças que não sabiam pedir amor sem parecerem difíceis. De adultos que confundiam força com endurecimento. De pessoas que não eram más, fracas ou perdidas por natureza — apenas haviam sido deixadas tempo demais sozinhas diante do próprio caos.
Essa foi, talvez, minha primeira formação: a vida real. A universidade silenciosa das margens. O lugar onde a teoria ainda não tem nome bonito, mas já aparece em carne viva.
Na universidade federal, atuei como representante estudantil. Não como quem ocupa um cargo, mas como quem assume uma responsabilidade. Caminhei ao lado de estudantes que não tinham onde morar, o que comer, dinheiro para permanecer ou força emocional para continuar acreditando que a universidade pública também era deles. Ali aprendi que sofrimento social e sofrimento psíquico raramente caminham separados. A fome, a humilhação, a exclusão, a solidão e o medo também adoecem a alma.
Foi nesse território que entendi uma verdade que carrego até hoje: a transformação não começa quando alguém recebe um conselho. Começa quando alguém é visto. Não como estatística. Não como caso. Não como problema. Mas como história.
Sou formado em Psicanálise pelo Instituto Gaio de São Paulo, uma das referências nacionais em formação psicanalítica, e atuo há quase cinco anos na escuta clínica. Mas, para mim, a experiência não se mede apenas pelo tempo de atendimento. Mede-se pela profundidade com que alguém permanece diante da dor do outro sem pressa de julgar, corrigir ou simplificar.
A pergunta que me move continua sendo a mesma:
O que acontece com uma pessoa quando ela finalmente se sente ouvida?
Não ouvida de maneira superficial. Não ouvida para receber frases prontas. Mas ouvida no ponto em que sua história dói. No lugar onde ela tem vergonha de tocar. Na região íntima onde mora aquilo que ela esconde até de si mesma.
Também sou escritor de crônicas. E isso não está separado da psicanálise. A escrita e a escuta pertencem à mesma família espiritual: ambas tentam dar forma ao indizível. Ambas procuram palavras onde antes só havia névoa. Ambas sabem que uma vida não compreendida pesa mais do que uma vida difícil.
Escrever é escutar o mundo por dentro. Psicanalisar é ajudar alguém a escutar a si mesmo sem precisar fugir.
Lacan dizia que o inconsciente é estruturado como uma linguagem. Isso, na prática, significa que aquilo que nos adoece não é apenas um amontoado confuso de sintomas. Tem forma. Tem lógica. Tem história. Tem repetições. Tem cenas antigas tentando se atualizar no presente. Tem palavras que faltaram, afetos que foram reprimidos, desejos que foram proibidos, culpas que cresceram no escuro.
O sintoma, muitas vezes, é uma mensagem mal traduzida.
A ansiedade pode ser o corpo dizendo o que a boca não conseguiu dizer. A procrastinação pode ser uma defesa contra o medo de falhar. A raiva pode esconder uma tristeza antiga. O excesso de controle pode nascer de uma infância imprevisível. A sensação de não pertencer pode acompanhar pessoas que passaram a vida tentando caber em lugares pequenos demais para sua complexidade.
É esse o trabalho que faço: ajudar pessoas a traduzirem a si mesmas.
Atendo em Rio do Sul, Santa Catarina, especialmente adultos que convivem com TDAH, autismo, ansiedade, conflitos internos, culpa, sensação de inadequação ou uma espécie de exílio íntimo — aquela impressão persistente de estar fora do lugar em um mundo que exige adaptação, desempenho e aparência, mas quase nunca oferece escuta verdadeira.
Muitas dessas pessoas passaram anos sendo chamadas de difíceis, distraídas, intensas, frias, exageradas, instáveis, estranhas, pecadoras, fracas ou problemáticas. Mas a clínica ensina outra coisa: por trás de muitos comportamentos existe uma tentativa de sobrevivência. Aquilo que hoje parece defeito, um dia pode ter sido defesa. Aquilo que hoje atrapalha, um dia pode ter protegido. Aquilo que hoje causa vergonha, talvez tenha sido a única saída possível em uma fase da vida em que a pessoa não tinha recursos, linguagem ou amparo.
Por isso, não trabalho com a ideia de “consertar” alguém.
Pessoas não são máquinas quebradas. São histórias interrompidas, desejos soterrados, potências adormecidas, afetos sem nome, memórias mal elaboradas, inteligências feridas por ambientes que não souberam reconhecê-las.
Acredito profundamente nisto:
Você não é seus erros. Não é o pecado cometido, nem as decisões que te envergonham. Não é o diagnóstico, o fracasso, a queda, o excesso, a fuga, a recaída ou a opinião de quem nunca conheceu sua história inteira. Tudo isso são fragmentos. Pedaços. Marcas. Sintomas. Mas não o todo.
E o todo é muito maior.
Meu trabalho é te ajudar a enxergar esse todo. A separar culpa de responsabilidade. Sintoma de identidade. Trauma de destino. Desejo de compulsão. Fé de medo. Dor de condenação. Passado de futuro.
Não vim para oferecer respostas fáceis. Vim para sustentar perguntas verdadeiras.
Não vim para te encaixar em uma fórmula. Vim para te ajudar a compreender a lógica singular da sua própria existência.
Não vim para te dizer quem você deve ser. Vim para te ajudar a escutar aquilo que, em você, ainda não encontrou voz.
Porque há pessoas que não precisam de mais uma cobrança. Precisam de um lugar onde possam, finalmente, parar de representar força e começar a existir com verdade.
E talvez seja isso que mais me define: eu acredito na escuta como forma de reconstrução. Acredito que uma pessoa pode atravessar culpa, medo, vergonha, ansiedade, confusão e abandono — desde que encontre um espaço onde sua dor não seja ridicularizada, moralizada ou reduzida.
Meu maior legado não será o que construí sozinho.
Será o que despertei em cada pessoa que cruzou meu caminho.
Porque, no fim, talvez cuidar de alguém seja isto: ajudar uma vida a lembrar que ainda existe dentro dela uma parte inteira, viva, profunda e possível — mesmo depois de tudo.
Vamos conversar
“Me senti seguro e compreendido desde a primeira sessão com Odson.”
Joana G.S., 45 anos